Mendigos, foliões, transeuntes, personagens anônimos da vida real vivendo as alegrias e as dores do blues. Muito mais do que um estilo, um olhar, o blues da urbe canta sua própria existência, numa maneira de impregnar este doce tecido que chamamos de vida.
O Mississipi é aqui, na metrópole.
Brasília, São Paulo, Rio de janeiro.
Com o tema em mente, Pablo Valadares partiu em busca do blues em terras brasileiras. De máquina em punho, retratou o que existe por detrás do bom humor fácil dos nativos e visitantes destas terras. Somos encantadores? Sim, mas há sempre um pano de fundo blueseiro de uma dor mal curada. A dor de cotovelo das desigualdades, da violência urbana, do descaso do Estado.
Sabemos suplantá-la por momentos, como no carnaval carioca retratado aqui. E, verdadeiramente, somos todos iguais na alegria, mas passado o esquecimento momentâneo, a cantilena volta no compasso arrastado.
Não é assim que nos sentimos? O pó das cinzas de quarta.
Cinzas azuis.
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